

Simpatia. Ah, querido, com certeza ela não tem isso. Não há um pingo dessa virtude. Contente-se. Ela não passa de uma irônica, antipática e mal educada. Sua mãe tentou, querido. Tentativa em vão, pra falar a verdade. Ela não chega a ser mal educada no sentido de ser metida. Ela é só mais uma garota jogada, sem vergonha na cara que encara seus medos. Pelo menos alguns deles. O medo de se machucar ficou pra trás, agora ela está acostumada com isso. Já é parte dela, de sua mente. Mente mal feita. Muito mal feita. Estragada. Arruinada. Qualquer palavra desse nível não chega a ser suficiente para descrever a mente a qual ela é dona. Sua roupa remendada por ela mesma, está com a linha de outra cor. Cabelo embaraçado. Rímel borrado abaixo e acima dos olhos. Olhos verdes, quase azuis. Brilhavam ao sol. A cor nítida, com efeito demorado de entender. Como um enigma, que seus olhos escondiam. Sofisticada. Nunca, mas nunca seria. Seu estilo próprio - bem próprio, ninguém usaria aquilo - é diferente. Mistura de preto e branco com coloridos em volta. Cores realçadas em lugares totalmente inapropriados na roupa. Só faltava o cigarro entre os dedos naquela cena, mas era consciente demais para se estragar ainda mais. A bebida ao chão, estava imaginável ali, mas não estava presente. E nem estaria. Sua mente não era tão podre ao ponto de aceitar isso. Quem a odiava, ria dela. Mas, não sabiam que, a cada “há” que soltavam, um tiro levavam mentalmente no peito. E uma vingança era bolada no mesmo segundo, e anotada no segundo seguinte. E agora, querido? Ainda acha que ela é simpática? Barbara Castro — (p0rcelana)